Homenagem a Santo Onofre
A vida, a ascese e a hinografia de Santo Onofre, o Egípcio
Índice

Tradução do original grego. As passagens bíblicas, patrísticas e litúrgicas foram traduzidas diretamente do grego; o texto original de cada passagem pode ser apresentado por baixo dela.
Introdução
Os Santos da Igreja não são alguns milhares; são muitos milhões. Qualquer tentativa de os contar seria, certamente, um esforço vão. E se alguém, por hipótese, quisesse contar todos os Apóstolos, os Profetas, os Hierarcas, os Hieromártires, os Veneráveis, os Veneráveis Mártires, os Confessores e simplesmente todos os santos homens e mulheres em conjunto, verificaria que são mais numerosos do que a areia do mar.
Origem e infância
Santo Onofre, o Egípcio, é uma das maiores figuras ascéticas dos desertos do Egito. Segundo o seu biógrafo, o venerável Pafnúcio, Onofre era originário da Pérsia. Que a pátria de Santo Onofre tenha sido a Pérsia não é mencionado nem nos Sinaxários em uso, nem no Cânone da sua festa.
Segundo, pois, São Pafnúcio, o pai de Santo Onofre era rei da Pérsia. A sua mãe era estéril, e ambos suplicavam a Deus que lhes concedesse um herdeiro. Depois de muitas orações, Deus atendeu-os, e quando a mãe concebeu houve grande alegria no palácio. Depois do nascimento, o pai teve uma revelação divina que o exortava a dar ao menino o nome de Onofre no santo batismo e, em seguida, a levá-lo para um mosteiro na Tebaida do Egito.
Assim fez o pai do Santo. Enquanto seguia com os servos em direção ao Egito, acompanhava-os, por inspiração e vontade divinas, uma corça que alimentava o recém-nascido com o seu leite durante toda aquela viagem, para admiração e espanto de todos. Quando chegaram ao mosteiro, o pai de Santo Onofre contou tudo ao Hegúmeno do Mosteiro, que disse: «Aqui nunca se aproximou mulher alguma. Como é possível alimentar a criança?» O pai do Santo respondeu: «Assim como o Senhor providenciou e a corça que o alimentava nos acompanhou durante todo o caminho, assim também, por ordem divina, ela virá aqui todos os dias para o amamentar, até que cresça.» E assim o Hegúmeno consentiu, e Onofre ficou naquele cenóbio. O pai partiu para o palácio, e a corça vinha todos os dias, até ao terceiro ano, e amamentava-o.
O nosso venerável pai Onofre, tendo a sua origem na terra do Egito, viveu ali uma vida de extremo amor a Deus e ao próximo, de humildade exemplar e comovente, de quietude purificadora das paixões e de cultivo das virtudes em vista da comunhão com Deus e do conhecimento de si mesmo, e de um desprendimento tal que, em vez de vestes para cobrir o corpo, usava a sua longuíssima barba.
A paciência nas provações
Com a sua vida, Santo Onofre pôs em prática o que se diz no segundo capítulo da Sabedoria de Sirac. Permaneceu unido a Deus e não se afastou d’Ele, e tornou-se depois grande e abundante em graça. Aceitou toda a espécie de provação com grande paciência e alegria, e suportou com constância as desgraças sucessivas. As provações purificaram-no e santificaram-no, como o fogo ao ouro.
Filho, se te aproximas para servir o Senhor Deus, prepara a tua alma para a provação. Endireita o teu coração e sê constante, e não te precipites no tempo da adversidade. Une-te a Ele e não te afastes, para que sejas engrandecido no teu fim. Tudo o que te sobrevier, aceita-o, e sê paciente nas vicissitudes da tua humilhação; porque o ouro é provado no fogo, e os homens agradáveis a Deus no forno da humilhação. Confia n’Ele, e Ele te amparará; endireita os teus caminhos e espera n’Ele. Vós que temeis o Senhor, aguardai a sua misericórdia, e não vos desvieis, para não cairdes. Vós que temeis o Senhor, confiai n’Ele, e a vossa recompensa não falhará. Vós que temeis o Senhor, esperai os bens, a alegria eterna e a misericórdia.1
Texto grego
Τέκνον, εἰ προσέρχῃ δουλεύειν Κυρίῳ Θεῷ, ἑτοίμασον τὴν ψυχήν σου εἰς πειρασμόν· εὔθυνον τὴν καρδίαν σου καὶ καρτέρησον καὶ μὴ σπεύσῃς ἐν καιρῷ ἐπαγωγῆς· κολλήθητι αὐτῷ καὶ μὴ ἀποστῇς, ἵνα αὐξηθῇς ἐπ᾿ ἐσχάτων σου. Πᾶν ὃ ἐὰν ἐπαχθῇ σοι, δέξαι καὶ ἐν ἀλλάγμασι ταπεινώσεώς σου μακροθύμησον· ὅτι ἐν πυρὶ δοκιμάζεται χρυσὸς καὶ ἄνθρωποι δεκτοὶ ἐν καμίνῳ ταπεινώσεως. Πίστευσον αὐτῷ, καὶ ἀντιλήψεταί σου· εὔθυνον τὰς ὁδούς σου καὶ ἔλπισον ἐπ᾿ αὐτόν. Οἱ φοβούμενοι τὸν Κύριον ἀναμείνατε τὸ ἔλεος αὐτοῦ καὶ μὴ ἐκκλίνητε, ἵνα μὴ πέσητε. Οἱ φοβούμενοι Κύριον πιστεύσατε αὐτῷ, καὶ οὐ μὴ πταίσῃ ὁ μισθὸς ὑμῶν. Οἱ φοβούμενοι Κύριον ἐλπίσατε εἰς ἀγαθὰ καὶ εἰς εὐφροσύνην αἰῶνος καὶ ἐλέους.
A partida para o deserto
Já desde criança mostrava um desejo ardente de consagração total a Deus. Ainda jovem, entrou numa irmandade cenobítica, onde durante muitos anos se exercitou na continência espiritual e corporal e na obediência. A sua grande humildade fez com que os irmãos o amassem muito. Quando amadureceu mais em idade, Onofre quis ir mais fundo no deserto, para conhecer e imitar a vida dos ascetas que ali viviam.
Mais tarde, com a bênção do seu Ancião, retirou-se para o deserto. Depois de muito caminhar pelo deserto, encontrou a cabana do eremita Hérmias, que, por revelação divina, o esperava. Hérmias conduziu-o a uma cabana debaixo de uma enorme palmeira, junto da qual murmuravam as águas de uma fonte límpida. Ali Onofre entregou-se a uma ascese espiritual ainda maior, e a sua fama espalhou-se entre todos os eremitas, que muitas vezes o procuravam para pedir conselho e receber a sua bênção. Pela ascese na graça purificou a alma das paixões e alcançou a iluminação e a theosis (divinização). Com a sua vida, Santo Onofre traz-nos à memória as palavras do livro da Sabedoria de Sirac:
Olhai para as gerações antigas e vede: quem confiou no Senhor e foi confundido? Ou quem perseverou no seu temor e foi abandonado? Ou quem o invocou e foi desprezado? Porque o Senhor é compassivo e misericordioso; perdoa os pecados e salva no tempo da tribulação. Ai dos corações medrosos e das mãos frouxas, e do pecador que anda por dois caminhos! Ai do coração desfalecido, porque não crê; por isso não será protegido. Ai de vós que perdestes a perseverança! Que fareis quando o Senhor vos visitar? Os que temem o Senhor não desobedecem às suas palavras, e os que o amam guardam os seus caminhos. Os que temem o Senhor procuram o que lhe agrada, e os que o amam saciam-se da lei. Os que temem o Senhor preparam os seus corações e humilham diante d’Ele as suas almas. Caiamos nas mãos do Senhor, e não nas mãos dos homens; porque, qual é a sua grandeza, tal é também a sua misericórdia.2
Texto grego
Ἐμβλέψατε εἰς ἀρχαίας γενεὰς καὶ ἴδετε· τίς ἐνεπίστευσε Κυρίῳ καὶ κατῃσχύνθη; ἢ τίς ἐνέμεινε τῷ φόβῳ αὐτοῦ καὶ ἐγκατελείφθη; ἢ τίς ἐπεκαλέσατο αὐτόν, καὶ ὑπερεῖδεν αὐτόν; διότι οἰκτίρμων καὶ ἐλεήμων ὁ Κύριος καὶ ἀφίησιν ἁμαρτίας καὶ σώζει ἐν καιρῷ θλίψεως. Οὐαὶ καρδίαις δειλαῖς καὶ χερσὶ παρειμέναις καὶ ἁμαρτωλῷ ἐπιβαίνοντι ἐπὶ δύο τρίβους. Οὐαὶ καρδίᾳ παρειμένῃ, ὅτι οὐ πιστεύει· διὰ τοῦτο οὐ σκεπασθήσεται. Οὐαὶ ὑμῖν τοῖς ἀπολωλεκόσι τὴν ὑπομονήν· καὶ τί ποιήσετε ὅταν ἐπισκέπτηται ὁ Κύριος; Οἱ φοβούμενοι Κύριον οὐκ ἀπειθήσουσι ῥημάτων αὐτοῦ, καὶ οἱ ἀγαπῶντες αὐτὸν συντηρήσουσι τὰς ὁδοὺς αὐτοῦ. Οἱ φοβούμενοι Κύριον ζητήσουσιν εὐδοκίαν αὐτοῦ, καὶ οἱ ἀγαπῶντες αὐτὸν ἐμπλησθήσονται τοῦ νόμου. Οἱ φοβούμενοι Κύριον ἑτοιμάσουσι καρδίας αὐτῶν καὶ ἐνώπιον αὐτοῦ ταπεινώσουσι τὰς ψυχὰς αὐτῶν. Ἐμπεσούμεθα εἰς χεῖρας Κυρίου καὶ οὐκ εἰς χεῖρας ἀνθρώπων· ὡς γὰρ ἡ μεγαλωσύνη αὐτοῦ, οὕτως καὶ τὸ ἔλεος αὐτοῦ.
Ensina-nos a não nos afastarmos do Senhor quando caímos em provação, e a esperarmos os bens e a alegria da eternidade e a misericórdia do Senhor.
A devoção do povo
O Santo alimentava-se de ervas, e a sua veste era feita de folhas de palmeira. Nas aldeias de Creta, Santo Onofre é conhecido sobretudo como Ai Roufnis. Segundo a crença popular, Ai Roufnis (Santo Onofre) «sorve» (roufá; uma etimologia popular) as espigas da nova colheita de quem não respeita a sua memória. Por esta razão, não se ceifa nem se debulha no dia da sua festa. Pela mesma etimologia popular, Roufnis – roufó («sorver», «aspirar»), também os vendedores de tabaco de Constantinopla costumavam festejar Santo Onofre. Santo Onofre é ainda particularmente venerado pelos barbeiros, porque nos seus ícones é sempre representado com uma longuíssima barba. Hoje é considerado pelo piedoso povo de Deus como protetor dos juízes e dos que são julgados e, de modo mais geral, da Justiça.
A recompensa dos justos
Os justos vivem eternamente, e a sua recompensa está nas mãos do Senhor; o Altíssimo cuida deles. Por isso receberão da mão do Senhor o glorioso reino dos Céus e o belo diadema real sobre as suas cabeças, porque o Senhor os cobrirá com a sua direita e com o seu braço os protegerá contra os seus inimigos. O Senhor tomará a sua ira como armas e transformará todos os elementos da natureza em armas para repelir os seus inimigos. Revestir-se-á da sua Justiça como de uma veste e porá como elmo um juízo imparcial. Em vez de um escudo invulnerável, revestir-se-á da santidade. Usará a sua ira severa como espada afiada. Com Ele combaterão todos os elementos da natureza contra estes ímpios insensatos.
Mas os justos vivem para sempre; a sua recompensa está no Senhor, e o Altíssimo cuida deles. Por isso receberão o reino da glória e o diadema da beleza da mão do Senhor, porque com a sua direita os cobrirá e com o seu braço os protegerá. Tomará o seu zelo como armadura e armará a criação para repelir os inimigos; vestirá a justiça como couraça e porá como elmo um juízo sem fingimento; tomará a santidade como escudo invencível e afiará a ira severa como espada, e o universo combaterá com Ele contra os insensatos. Partirão certeiros os raios dos relâmpagos e, como de um arco bem curvado, das nuvens voarão para o alvo; e de uma funda de cólera serão lançadas pedras de granizo. A água do mar enfurecer-se-á contra eles, e os rios inundá-los-ão sem piedade. Levantar-se-á contra eles um vento poderoso e, como um furacão, dispersá-los-á. A iniquidade devastará toda a terra, e a maldade derrubará os tronos dos poderosos.3
Texto grego
Δίκαιοι δὲ εἰς τὸν αἰῶνα ζῶσι, καὶ ἐν Κυρίῳ ὁ μισθὸς αὐτῶν, καὶ ἡ φροντὶς αὐτῶν παρὰ Ὑψίστῳ. Διὰ τοῦτο λήψονται τὸ βασίλειον τῆς εὐπρεπείας καὶ τὸ διάδημα τοῦ κάλλους ἐκ χειρὸς Κυρίου, ὅτι τῇ δεξιᾷ σκεπάσει αὐτοὺς καὶ τῷ βραχίονι ὑπερασπιεῖ αὐτῶν. Λήψεται πανοπλίαν τὸν ζῆλον αὐτοῦ καὶ ὁπλοποιήσει τὴν κτίσιν εἰς ἄμυναν ἐχθρῶν· ἐνδύσεται θώρακα δικαιοσύνην καὶ περιθήσεται κόρυθα κρίσιν ἀνυπόκριτον· λήψεται ἀσπίδα ἀκαταμάχητον ὁσιότητα, ὀξυνεῖ δὲ ἀπότομον ὀργὴν εἰς ῥομφαίαν, συνεκπολεμήσει δὲ αὐτῷ ὁ κόσμος ἐπὶ τοὺς παράφρονας. Πορεύσονται εὔστοχοι βολίδες ἀστραπῶν καὶ ὡς ἀπὸ εὐκύκλου τόξου τῶν νεφῶν ἐπὶ σκοπὸν ἁλοῦνται, καὶ ἐκ πετροβόλου θυμοῦ πλήρεις ῥιφήσονται χάλαζαι. Ἀγανακτήσει κατ᾿ αὐτῶν ὕδωρ θαλάσσης, ποταμοὶ δὲ συγκλύσουσιν ἀποτόμως. Ἀντιστήσεται αὐτοῖς πνεῦμα δυνάμεως καὶ ὡς λαῖλαψ ἐκλικμήσει αὐτούς. Καὶ ἐρημώσει πᾶσαν τὴν γῆν ἀνομία, καὶ ἡ κακοπραγία περιτρέψει θρόνους δυναστῶν.
O monaquismo egípcio
Um é aquele que amarrou o tirano com as lutas; outro, aquele que o amarrou com a humildade; e outro ainda, aquele que o amarrou com a intervenção e a manifestação de Deus. O primeiro assemelha-se à estrela da manhã, o segundo à lua cheia, e o terceiro ao sol resplandecente. E, contudo, os três têm a sua cidadania nos céus. Da aurora nasce a luz, e da luz surge o sol.
Durante os três primeiros séculos da Igreja, bastante antes do fim das perseguições sob Constantino Magno, surgiram cristãos piedosos que fugiam do mundo para se dedicarem à ascese e à oração, livres das preocupações da vida e do ruído do mundo. Outros retiravam-se para o deserto, para aí procurarem não apenas segurança face aos perigos de uma civilização corrompida, mas a oferta total da sua vida a Deus. Assim temos o desenvolvimento do primitivo monaquismo eremítico.
No século IV, porém, o Cristianismo entra num novo período do seu percurso histórico. A perseguição cessa, a paz constantiniana prevalece, a Igreja passa a ser honrada e protegida pelo Estado, adquire riquezas e privilégios. Isto tem como consequência a sua evidente secularização. É precisamente então que o exemplo dos poucos anacoretas isolados dos três primeiros séculos encontra miríades de imitadores. Fundam-se escetes, lauras e cenóbios, grandes e numerosíssimos. O monaquismo floresce; os santos padres do deserto brilham no firmamento da Igreja porque «a mão do Senhor estava com eles»,4 e estende-se do Egito e da Líbia ao Sinai, à Palestina, à Síria, ao Monte Olimpo da Bitínia, à Santa Montanha e a todo o mundo então conhecido.
No início da sua vida monástica, Santo Onofre entra num cenóbio perto de Hermópolis, na Tebaida. O sistema cenobítico constitui uma forma mais rigorosa do sistema lauriótico e foi organizado por São Pacómio Magno no século IV, no Egito. Mais precisamente, antes de partir para o deserto, Santo Onofre vivia numa grande laura de monges chamada Smaoun, no Alto Egito, nos confins de Oxirrinco. Ali viviam cento e cinquenta monges, guardando a ordem e a pureza monásticas. Ali o Abba Onofre aprendeu a vida monástica, junto de outros anciãos divinos que tinham alcançado a perfeição e viviam como os anjos de Deus. Ali ouviu falar da vida quieta e solitária de duas grandes figuras da nossa Igreja: da vida ascética e eremítica do Profeta Elias, o Tesbita, e do seu imitador João, o Precursor, que preparou a vinda de Cristo e que, como Elias, trajando uma veste ascética e seguindo a vida eremítica, pregou ao povo o batismo de penitência.
Hesíquia, vigilância e graça divina
A Graça incriada de Deus inundou todo o seu ser, a alma e o corpo, e por isso os seus restos mortais exalavam fragrância depois do seu santo repouso. «Quem tem a Graça do Espírito Santo na alma e no corpo possui o amor perfeito. E se alguém guardar esta graça, as suas relíquias serão santificadas, como as dos santos mártires, dos profetas ou dos outros grandes santos.»5 No Oriente ortodoxo, a vida monástica, como meio de salvação em Cristo, esteve desde o início ligada à hesíquia (hesychia, quietude), que constitui uma forma de ascese contemplativa e tinha como fim a vigilância (nepsis). A etapa final da vigilância é a verdade em Cristo, isto é, o domínio pleno e perfeito sobre as paixões e a submissão do ser humano inteiro à vontade de Deus.
O Deus infinitamente bom trouxe o homem a esta vida presente não para que a sua alma se apegasse a bens e dinheiro, a honras e prazeres e, de modo geral, a todos os bens deste mundo vão. O homem não foi criado apenas para esta vida passageira.
Por tudo isto, o Senhor recomenda-nos:
Tende cuidado convosco, para que os vossos corações não fiquem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e aquele dia não caia de repente sobre vós; pois virá como um laço sobre todos os que habitam a face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo, orando para que sejais considerados dignos de escapar a todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar de pé diante do Filho do Homem.6
Texto grego
Προσέχετε δὲ ἑαυτοῖς μήποτε βαρηθῶσιν ὑμῶν αἱ καρδίαι ἐν κραιπάλῃ καὶ μέθῃ καὶ μερίμναις βιωτικαῖς, καὶ αἰφνίδιος ἐφ᾿ ὑμᾶς ἐπιστῇ ἡ ἡμέρα ἐκείνη· ὡς παγὶς γὰρ ἐπελεύσεται ἐπὶ πάντας τοὺς καθημένους ἐπὶ πρόσωπον πάσης τῆς γῆς. Ἀγρυπνεῖτε οὖν ἐν παντὶ καιρῷ δεόμενοι ἵνα καταξιωθῆτε ἐκφυγεῖν πάντα τὰ μέλλοντα γίνεσθαι καὶ σταθῆναι ἔμπροσθεν τοῦ υἱοῦ τοῦ ἀνθρώπου.
Santo Onofre, arrebatado pela vida eremítica e pelo retiro do mundo, mortificou os membros que estão sobre a terra7 e, suportando a geada da noite e o calor abrasador do dia, alcançou a vida celeste, contemplando, como sublinha o seu hinógrafo, a inefável beleza do seu Criador. Viveu no deserto cerca de sessenta anos, tendo por alimento a continência e por riqueza a pobreza e o desprendimento. Santo Onofre tinha por veste, segundo a exortação do Apóstolo Paulo, Jesus Cristo.8 A impassibilidade não deve ser confundida com a ausência de tentações, mas, pelo contrário, com a sua forte presença e com a plena liberdade de as enfrentar.
Mas também o coração do homem se torna deserto quando perde a Graça divina. Aqueles que provaram a doçura da Graça divina, ainda que pouco, e depois aconteceu perdê-la, procuram-na como a mãe procura o filho pequeno que perdeu no meio de uma multidão: chama, corre e procura-o com lágrimas e dor. E quando o encontra, alegra-se e exulta e aperta-o nos braços, tendo cuidado para não o perder de novo. Algo de semelhante acontece com quem provou a Graça divina e, por alguma razão, a perdeu. Sente o coração deserto e vazio, e clama, e chama, e ora sem cessar. E quando, depois de grande luta, angústia, busca, dor e pranto, a reencontra, então alegra-se e exulta e clama com o Profeta Isaías: «Alegra-te, deserto sedento…».9
A união com Deus é um mistério que se realiza nas pessoas humanas. Uma pessoa perfeita toma todas as suas decisões com plena consciência. É livre de toda a coação, de toda a necessidade natural. Quanto mais se avança no caminho da união, mais consciente se torna. Esta consciência é chamada na vida espiritual, pelos Padres ascetas do Oriente, conhecimento (gnosis).
O encontro com o Abba Pafnúcio
Certa vez, o Abba Pafnúcio visitou o venerável Onofre. Os dois ascetas alegraram-se com a presença um do outro, partilharam as suas experiências e fortaleceram-se espiritualmente. Deus, porém, dispôs as coisas de tal modo que este encontro coincidisse com a hora da «partida» do venerável Onofre; e assim o seu corpo foi sepultado pelo Abba Pafnúcio debaixo da grande palmeira, enquanto a sua alma «se rejubila nos céus com todos os santos». Recordou assim a todos as palavras do Apóstolo Paulo: «exercita-te na piedade»;10 isto é, treina-te e habitua-te à prática contínua da vida santa.
São Silvano do Monte Athos, quando fala do lamento de Adão depois da desobediência e da perda do Paraíso, descreve na verdade o seu próprio lamento, quando perdeu a Graça de Deus e durante muitos anos a procurou com dor e lágrimas. E ensina, pela sua experiência, que o caminho mais seguro para encontrar e guardar a Graça divina é o da humildade.
O deserto como piscina espiritual
O deserto foi a piscina espiritual na qual os ascetas se elevaram a alturas inacessíveis de elevação espiritual. A luz fulgurante da divindade conduz o homem à serenidade, à calma e à bem-aventurança espirituais. A luta ascética é, no fundo, a passagem pelo «caminho estreito e apertado»,11 que, no entanto, adoça a existência e lhe dá sentido. E fornece também ao organismo espiritual fortes defesas, para que seja capaz de resistir às dificuldades, afastar a amargura das tristezas e viver a doce alegria-tristeza (charmolypi). Mas também o deserto tem as suas tempestades e borrascas; as montanhas escarpadas têm ventos fortes, ventos que fazem rodopiar o corpo e o espírito.
Santo Onofre desmaiou muitíssimas vezes no deserto; ficou muitas vezes exausto pela fome, pela sede, pelo frio da noite e pelo sol abrasador do dia. O seu corpo foi queimado sob o sol do céu. Quando Deus viu que já tinha sofrido o suficiente nesta luta, enviou o seu anjo para cuidar do seu alimento, e todos os dias lhe trazia algo para sustentar o corpo. Naquele lugar do deserto onde o Abba Onofre viveu em ascese havia uma tamareira que dava doze cachos de tâmaras por ano; um grande cacho de tâmaras caía cada mês para o Santo. Havia ainda algumas ervas e outros pequenos arbustos cujas folhas tinham na sua boca um sabor maravilhoso, semelhante ao do mel.
Quando alguém faz a vontade do Senhor, Ele providenciará, em qualquer lugar da terra em que nos encontremos. Aliás, está escrito nas Sagradas Escrituras que «te quis dar a conhecer que nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus viverá o homem».12 E noutro lugar os santos Evangelhos escrevem:
Não vos inquieteis, pois, dizendo: Que comeremos? ou: Que beberemos? ou: Com que nos vestiremos? Porque são os pagãos que procuram todas estas coisas; e o vosso Pai celeste sabe que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.13
Texto grego
Μὴ οὖν μεριμνήσητε λέγοντες, τί φάγωμεν ἢ τί πίωμεν ἢ τί περιβαλώμεθα; πάντα γὰρ ταῦτα τὰ ἔθνη ἐπιζητεῖ· οἶδε γὰρ ὁ πατὴρ ὑμῶν ὁ οὐράνιος ὅτι χρῄζετε τούτων ἁπάντων. Ζητεῖτε δὲ πρῶτον τὴν βασιλείαν τοῦ Θεοῦ καὶ τὴν δικαιοσύνην αὐτοῦ, καὶ ταῦτα πάντα προστεθήσεται ὑμῖν.
A oração dos monges
São Silvano do Monte Athos escreve: «O mundo pensa que os monges são uma gente inútil. Mas engana-se ao pensar assim. Não sabe que o monge ora pelo mundo inteiro. Não vê as suas orações e não sabe com quanta compaixão o Senhor as acolhe. Os monges travam uma grande guerra contra as paixões, e por esta sua luta serão grandes junto de Deus.»5
Santo Onofre tinha por alimento da alma e iluminação do seu espírito a mãe das virtudes, a bem-aventurada oração, como diz São João Clímaco, segundo o qual: «A oração é, pela sua qualidade, convívio e união do homem com Deus; pela sua ação, … reconciliação com Deus, propiciação pelos pecados, alimento da alma, iluminação do espírito, espelho do progresso.»14
A maior oferta dos monges e a maior expressão do seu amor por todo o mundo são as suas orações, como diz São Silvano: «O monge é um intercessor pelo mundo inteiro; chora pelo mundo inteiro, e nisto consiste a sua obra principal. Quem, então, o move a derramar lágrimas pelo mundo inteiro? Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus. É Ele quem dá ao monge o amor do Espírito Santo, e por causa deste amor o coração do monge está sempre triste, porque nem todos os homens se salvam.»5
No primeiro tempo em que alguém se retira para o deserto, sofre de fome, de sede e da guerra que o inimigo sem sono levanta contra os anacoretas; porque o diabo lhes envia tentações e os combate, sabendo bem quão grande é a honra e a glória que estes anacoretas encontram junto de Deus quando deixam o corpo. Quando, pois, suportam tudo isto com paciência, o auxílio de Deus torna-os fortes. Deus dá-lhes então anjos que lhes trazem alimento, e assim vivem em paz e em repouso espiritual. «Mas os que esperam em Deus renovarão as forças; terão asas como as águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não terão fome.»15 O Senhor nunca desprezará o humilde, e as tribulações não fazem dobrar para sempre os pobres. Deus retribui a cada um segundo as suas obras e as tribulações que sofreu. Bem-aventurado aquele que trabalha segundo a vontade de Deus nesta terra; os anjos servi-lo-ão e protegê-lo-ão enquanto estiver na terra, no corpo.
Quando o Senhor enviou os seus Discípulos a pregar o Evangelho aos homens, dizia:
Vós sois o sal da terra; mas, se o sal perder o sabor, com que se há de salgar? Já não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma candeia para a pôr debaixo do alqueire, mas sim no candelabro, e assim ilumina todos os que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.16
Texto grego
Ὑμεῖς ἐστε τὸ ἅλας τῆς γῆς· ἐὰν δὲ τὸ ἅλας μωρανθῇ, ἐν τίνι ἁλισθήσεται; εἰς οὐδὲν ἰσχύει ἔτι εἰ μὴ βληθῆναι ἔξω καὶ καταπατεῖσθαι ὑπὸ τῶν ἀνθρώπων. Ὑμεῖς ἐστε τὸ φῶς τοῦ κόσμου. Οὐ δύναται πόλις κρυβῆναι ἐπάνω ὄρους κειμένη· οὐδὲ καίουσι λύχνον καὶ τιθέασιν αὐτὸν ὑπὸ τὸν μόδιον, ἀλλ᾿ ἐπὶ τὴν λυχνίαν, καὶ λάμπει πᾶσι τοῖς ἐν τῇ οἰκίᾳ. Οὕτω λαμψάτω τὸ φῶς ὑμῶν ἔμπροσθεν τῶν ἀνθρώπων, ὅπως ἴδωσιν ὑμῶν τὰ καλὰ ἔργα καὶ δοξάσωσι τὸν πατέρα ὑμῶν τὸν ἐν τοῖς οὐρανοῖς.
Note-se que o monge, iluminado pela Luz divina da graça de Deus, não deixa de orar com amor ilimitado por aqueles que vivem no mundo.
A última oração e o repouso do Santo
Antes do seu fim, e na presença de Pafnúcio, o venerável Onofre disse a seguinte oração:
Deus Altíssimo e invisível, cujo poder é insondável e cuja glória é incompreensível e inefável, e cuja misericórdia é infinita e imensurável: eu Te louvo, Te bendigo, Te adoro e Te glorifico, a Ti a quem desejei desde a minha juventude e a quem segui. Ouve-me, porque a Ti clamei; pois olhaste para a minha humildade, salvaste a minha alma das suas angústias, não me encerraste nas mãos dos inimigos, mas puseste os meus pés em lugar espaçoso. Suplico-Te, meu Senhor: protege-me com a tua direita, para que a minha alma não seja perturbada pelos demónios quando sair do corpo; mas recebe-a pelos teus santos Anjos e coloca-a onde brilha a luz do teu rosto, porque és bendito e glorificado pelos séculos. Lembra-Te, ó Compassivo e Misericordiosíssimo, do teu povo fiel. E quem quer que se encontre em perigo no mar, ou sob a ira de um juiz, ou em qualquer outra aflição, e Te invocar dizendo: «Senhor todo-poderoso, pelas intercessões do teu servo Onofre, tem piedade de mim», suplico ao teu reino, como me prometeste, ouve a sua súplica. Senhor, nas tuas mãos entrego o meu espírito.
Texto grego
Ὕψιστε Θεὲ καὶ ἀόρατε, οὗ ἡ δύναμις ἀνεξιχνίαστος καὶ ἡ δόξα ἀκατανόητος καὶ ἀνέκφραστος, καὶ τὸ ἔλεος ἄπειρον καὶ ἀμέτρητον, ὑμνῶ, εὐλογῶ, προσκυνῶ καὶ δοξάζω Σε, ὃν ἐπόθησα ἐκ νεότητός μου καὶ Σοὶ ἠκολούθησα. Ἐπάκουσόν μου, πρὸς Σὲ γὰρ ἐκέκραξα, ὅτι ἐπεῖδες τὴν ταπείνωσίν μου, ἔσωσας ἐκ τῶν ἀναγκῶν τὴν ψυχήν μου, οὐ συνέκλεισάς με εἰς χεῖρας ἐχθρῶν, ἀλλ᾽ ἔστησας ἐν εὐρυχώρῳ τοὺς πόδας μου. Δέομαί Σου, Κύριέ μου· τῇ Σῇ δεξιᾷ σκέπασόν με, ἵνα μὴ ταραχθῇ ἡ ψυχή μου ἀπὸ τοὺς δαίμονας, ὅταν ἐξέρχεται ἐκ τοῦ σώματος, ἀλλὰ παράλαβε αὐτὴν διὰ ἁγίων Ἀγγέλων Σου καὶ κατάταξον αὐτὴν ἔνθα ἐπισκοπεῖ τὸ φῶς τοῦ προσώπου Σου, ὅτι εὐλογητὸς εἶ καὶ δεδοξασμένος εἰς τοὺς αἰῶνας. Μνήσθητι, Πανοικτίρμον καὶ Πολυέλεε, τοῦ πιστοῦ λαοῦ Σου. Καὶ ὅστις εὑρεθῇ εἰς κίνδυνον θαλάσσης ἢ εἰς θυμὸν δικαστοῦ ἢ εἰς ἄλλην τινὰ στενοχωρίαν, καὶ Σὲ ἐπικαλεσθῇ λέγων· Παντοδύναμε Κύριε, διὰ πρεσβειῶν τοῦ δούλου Σου Ὀνουφρίου ἐλέησόν με, παρακαλῶ τὴν βασιλείαν Σου, καθὼς μοῦ ἔταξες, ἐπάκουσον τῆς δεήσεως αὐτοῦ. Κύριε, εἰς χεῖράς Σου παρατίθημι τὸ πνεῦμά μου.
Depois fez uma profunda prostração, até ao chão, e ali «terminou a sua carreira».17 Com glória e honra entregou o seu espírito nas mãos de Deus. Então ouviu-se uma multidão de anjos sobre os restos mortais de Santo Onofre, cantando hinos em honra do Abba Onofre, e grande foi verdadeiramente a alegria nos Céus pela entrada do Santo no Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O biógrafo de Santo Onofre, o venerável Pafnúcio, relata que dois leões abriram a sepultura em que foram depositados os santos restos mortais do Santo. São Pafnúcio sepultou Santo Onofre depois da sua morte, tendo rasgado ao meio a sua própria veste pobre: com uma metade envolveu o corpo nu do Venerável, coberto de cabelos brancos, e guardou a outra metade para cobrir o seu próprio corpo. Assim, sem túnica, partiu Santo Onofre para a outra vida, não apenas cumprindo, mas ultrapassando o mandamento do Senhor: «Quem tem duas túnicas, reparta com quem não tem nenhuma; e quem tem alimentos, faça o mesmo»,18 pois encontrou-se nu no fim da sua vida. Diz o dístico encomiástico e epigramático do Sinaxário:19
ultrapassaste, ficando nu até ao fim.
No dia doze, levaram desta vida Onofre sem túnica.
Texto grego
Καὶ τὴν ἑνὸς χιτῶνος ἐντολήν, Πάτερ,
Ὑπερβέβηκας, γυμνητεύσας εἰς τέλος.
Δωδεκάτῃ ἀχίτωνα Ὀνούφριον ἐκ βίου ἦραν.
O Santo como modelo
Santo Onofre ensina-nos e inspira-nos com a sua vida santa. A vida de Santo Onofre ensina-nos e chama-nos a «fazer nosso o bem deles pela imitação»:20 a imitá-lo, para fazermos nossa a sua virtude. O Santo ajuda-nos também com as suas intercessões. É uma obra de arte do Espírito Santo, uma belíssima imagem de Deus, um templo seu vivo e animado, riqueza e ornamento da nossa Igreja. Ensina-nos que a vida em Cristo não é simplesmente a comunhão com Cristo, a vida na sua Presença. É algo muito maior e incomparavelmente superior: é a união com Cristo.
Dá-nos a conhecer que esta nossa vida terrena passageira, que tememos perder e que protegemos como a pequena chama no cimo de uma vela que tremeluz quando o vento sopra, esta pequena vida não pode ser não só conservada, mas feita brilhar «como o sol», de outro modo senão apagando-a nós mesmos. «Quem encontrar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a sua vida por minha causa, encontrá-la-á.»21 Quem quer salvar a sua vida perderá a bem-aventurada vida espiritual. Mas quem não vive para si mesmo, e oferece a sua vida a Cristo e à obediência aos seus mandamentos, ganhá-la-á eterna, imortal e verdadeira no seu Reino.
Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe, recebe Aquele que me enviou. Quem recebe um profeta por ser profeta receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ser justo receberá a recompensa de justo. E quem der de beber, ainda que seja só um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ser discípulo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.22
Texto grego
Ὁ δεχόμενος ὑμᾶς ἐμὲ δέχεται, καὶ ὁ ἐμὲ δεχόμενος δέχεται τὸν ἀποστείλαντά με. Ὁ δεχόμενος προφήτην εἰς ὄνομα προφήτου μισθὸν προφήτου λήψεται, καὶ ὁ δεχόμενος δίκαιον εἰς ὄνομα δικαίου μισθὸν δικαίου λήψεται. Καὶ ὃς ἐὰν ποτίσῃ ἕνα τῶν μικρῶν τούτων ποτήριον ψυχροῦ μόνον εἰς ὄνομα μαθητοῦ, ἀμὴν λέγω ὑμῖν, οὐ μὴ ἀπολέσῃ τὸν μισθὸν αὐτοῦ.
Texto grego
Βλάστημα Βασιλέων εὐθαλὲς τῆς Περσίας, Ὀνούφριε, βουλῇ οὐρανίῳ σὲ ὡδήγησεν ὁ σὸς πατὴρ εἰς μονὴν Αἰγύπτου ἀσκητῶν πάνσεπτον, ὡς βρέφος ἀρτιγέννητον Κυρίῳ ἀσιγήτως ψάλλον.
A Oração de Jesus
A Oração «Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim» é a nata de todas as orações e resume-se em apenas cinco palavras23 repetidas com constância. A invocação «Senhor» exprime uma atitude agradecida da alma e confiança nos dons que brotam do Sacrifício redentor do Filho de Deus. A invocação «Jesus» exprime a paixão e o fogo da alma pelo Amado. A invocação «Cristo» assenta numa relação de arrependimento e perdão, semelhante à do ferido para com quem o cura. Por fim, a invocação «tem piedade de mim» transmite o drama de quem sofre. Aqui está a consciência do peso dos pecados, mas também o sabor da bondade de Deus e do seu perdão, pois esta invocação participa mais da ousadia filial (parrhesia) do que a invocação «perdoa».
As almas dos justos
As almas dos justos estão nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos pareceram morrer, a sua saída foi tida por desgraça, e a sua partida do meio de nós por ruína; mas eles estão em paz. Pois, ainda que aos olhos dos homens tenham sofrido castigo, a sua esperança está cheia de imortalidade. Corrigidos um pouco, receberão grandes benefícios, porque Deus os provou e os achou dignos de Si; provou-os como ouro no crisol e aceitou-os como holocausto perfeito. No tempo da sua visita resplandecerão e correrão como centelhas no restolho. Julgarão as nações e dominarão os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre. Os que confiam n’Ele compreenderão a verdade, e os fiéis permanecerão junto d’Ele no amor, porque a graça e a misericórdia são para os seus santos, e a sua visita para os seus eleitos.24
Texto grego
Δικαίων δὲ ψυχαὶ ἐν χειρὶ Θεοῦ, καὶ οὐ μὴ ἅψηται αὐτῶν βάσανος. Ἔδοξαν ἐν ὀφθαλμοῖς ἀφρόνων τεθνάναι, καὶ ἐλογίσθη κάκωσις ἡ ἔξοδος αὐτῶν καὶ ἡ ἀφ᾿ ἡμῶν πορεία σύντριμμα, οἱ δέ εἰσιν ἐν εἰρήνῃ. Καὶ γὰρ ἐν ὄψει ἀνθρώπων ἐὰν κολασθῶσιν, ἡ ἐλπὶς αὐτῶν ἀθανασίας πλήρης· καὶ ὀλίγα παιδευθέντες μεγάλα εὐεργετηθήσονται, ὅτι ὁ Θεὸς ἐπείρασεν αὐτοὺς καὶ εὗρεν αὐτοὺς ἀξίους ἑαυτοῦ· ὡς χρυσὸν ἐν χωνευτηρίῳ ἐδοκίμασεν αὐτοὺς καὶ ὡς ὁλοκάρπωμα θυσίας προσεδέξατο αὐτούς. Καὶ ἐν καιρῷ ἐπισκοπῆς αὐτῶν ἀναλάμψουσι καὶ ὡς σπινθῆρες ἐν καλάμῃ διαδραμοῦνται· κρινοῦσιν ἔθνη καὶ κρατήσουσι λαῶν, καὶ βασιλεύσει αὐτῶν Κύριος εἰς τοὺς αἰῶνας. Οἱ πεποιθότες ἐπ᾿ αὐτῷ συνήσουσιν ἀλήθειαν, καὶ οἱ πιστοὶ ἐν ἀγάπῃ προσμενοῦσιν αὐτῷ, ὅτι χάρις καὶ ἔλεος ἐν τοῖς ὁσίοις αὐτοῦ, καὶ ἐπισκοπὴ ἐν τοῖς ἐκλεκτοῖς αὐτοῦ.
A vida dos justos está sob a mão protetora de Deus, e nenhuma tribulação os tocará sem a permissão d’Ele. Aos olhos dos ímpios insensatos, a sua morte foi considerada aniquilação, e a sua saída prematura desta vida castigo e frustração das suas esperanças. A sua partida da vida foi considerada destruição completa. Mas eles estão em paz. Ainda que aos olhos dos homens pareçam sofrer, têm a firme convicção de que entrarão na imortalidade. Se aqui sofrem alguns tormentos, lá receberão grande recompensa, porque o Senhor os provou pelas tribulações e achou-os dignos da sua recompensa. O Senhor provou-os como o ourives prova o ouro pelo fogo no seu crisol purificador, e acolheu-os favoravelmente como os holocaustos dos sacrifícios. Resplandecerão quando o Senhor os visitar e, como centelhas, percorrerão os ímpios, queimando a palha inflamável. Condenarão as nações ímpias e dominarão os povos ímpios, porque o Senhor será o seu Rei pelos séculos. Os que têm fé e confiança em Deus compreenderão a verdade das suas palavras e promessas, e com amor perseverarão e permanecerão junto d’Ele, porque o seu dom e a sua compaixão serão dados aos que lhe são dedicados, e a sua solicitude voltar-se-á para os seus eleitos.
Os nossos Padres ensinam que o Espírito é um dom, e que o pedido deste dom é o único que nunca fica sem resposta imediata. A invocação toca a própria natureza d’Aquele que é dado e move-O a manifestar-Se. O homem, quando procura o Reino dos Céus, obedece ao seu Senhor e Deus e torna-se seu filho. E quando o encontra, alegra-se como quem encontrou uma pérola preciosa, um tesouro escondido, e a sua alegria é completa. Assim também Santo Onofre se mostrou estrela luminosa para os que vivem a vida monástica, e irradia sobre todo o mundo habitado como a lua na noite, e brilha deste modo nas lutas ascéticas como o sol. Por isso, peçamos ao Santo que não cesse de interceder incessantemente por todos nós, como diz o contácio correspondente do Santo no Grande Horológio:25
Texto grego
Αστήρ φαεινός εδείχθης τοις μονάζουσιν, ως φέγγος νυκτί αυγάζεις εν τοις πέρασιν· ούτω, πάτερ, έλαμψας εν ασκήσει καθάπερ ήλιος· διά τούτο, Ονούφριε, μη παύση πρεσβεύων υπέρ πάντων ημών.
O dia do Juízo
Então o justo estará de pé com grande ousadia diante daqueles que o afligiram e desprezaram os seus trabalhos. Ao vê-lo, serão abalados por terrível temor e ficarão espantados com o inesperado da sua salvação.26
Texto grego
Τότε στήσεται ἐν παρρησίᾳ πολλῇ ὁ δίκαιος κατὰ πρόσωπον τῶν θλιψάντων αὐτὸν καὶ τῶν ἀθετούντων τοὺς πόνους αὐτοῦ. Ἰδόντες ταραχθήσονται φόβῳ δεινῷ καὶ ἐκστήσονται ἐπὶ τῷ παραδόξῳ τῆς σωτηρίας.
No dia do Juízo, o justo erguer-se-á com grande ousadia diante daqueles que o perseguiram na terra e rejeitaram os seus trabalhos. Eles, ao vê-lo, perturbar-se-ão e terão grande medo; ficarão espantados com a sua salvação inesperada.
Dirão entre si, arrependidos, e gemerão na angústia do espírito: «Este é aquele de quem outrora nos ríamos e a quem tomávamos por objeto de escárnio, nós, os insensatos! Julgávamos a sua vida uma loucura e o seu fim sem honra. Como foi contado entre os filhos de Deus, e porque está a sua herança entre os santos? Afinal, fomos nós que nos desviámos do caminho da verdade; a luz da justiça não brilhou para nós, e o sol não nasceu para nós.»27
Texto grego
Ἐροῦσιν ἐν ἑαυτοῖς μετανοοῦντες καὶ διὰ στενοχωρίαν πνεύματος στενάξονται καὶ ἐροῦσιν· οὗτος ἦν ὃν ἔσχομέν ποτε εἰς γέλωτα καὶ εἰς παραβολὴν ὀνειδισμοῦ οἱ ἄφρονες· τὸν βίον αὐτοῦ ἐλογισάμεθα μανίαν καὶ τὴν τελευτὴν αὐτοῦ ἄτιμον. Πῶς κατελογίσθη ἐν υἱοῖς Θεοῦ καὶ ἐν ἁγίοις ὁ κλῆρος αὐτοῦ ἐστιν; ἄρα ἐπλανήθημεν ἀπὸ ὁδοῦ ἀληθείας, καὶ τὸ τῆς δικαιοσύνης φῶς οὐκ ἔλαμψεν ἡμῖν, καὶ ὁ ἥλιος οὐκ ἀνέτειλεν ἡμῖν.
E dirão entre si, em arrependimento e em grande angústia de alma, gemendo: É este aquele de quem nós, insensatos, outrora troçávamos e de quem fazíamos provérbio de escárnio? Julgámos a sua vida desequilibrada e a sua morte prematura desonrosa. Como, então, foi contado entre os filhos de Deus, e o seu lugar está entre os homens santos? Afinal, desviámo-nos do verdadeiro caminho, e a luz da justiça não brilhou para nós; o sol da verdade não nasceu para nós.
Pelo contrário, os justos, como Santo Onofre, provam as ricas bênçãos e os dons de Deus ao longo de todo o dia e, chegando ao fim do trabalho do dia, glorificam o Deus em Trindade: uma doxologia que brota do homem para Deus Criador e Pai pela passagem do dia. E esta doxologia não é um estado momentâneo do homem. Não é uma ação de graças limitada a um tempo determinado, mas estende-se a toda a dimensão doxológica da vida humana. A Graça divina ilumina, fortalece e potencia as faculdades naturais do homem no caminho da salvação e do regresso a Deus; por outras palavras, a regeneração, a justificação e a santificação.
A iconografia do Santo
Santo Onofre é representado na iconografia como um ancião nu, de cabelos compridos, com a barba a chegar até aos pés, e o seu rolo diz:
nem o lodo das paixões te deleite;
de outro modo, chorarás na chama que tudo devora.
Texto grego
Μη κόρος εντέρων σε Χριστού χωρίση,
μη βόρβορος σε των παθών καθηδύνη·
ει δ’ ουν, δακρύσεις εν φλογί τη παμφάγω.
O estado de glória do homem em Cristo Jesus, que procede da sua comunhão com a glória divina, implica uma transformação real do homem inteiro numa nova criação.
A divinização (theosis)
A theosis, isto é, a união do homem com Deus pela graça, era o fim último da criação do homem. O pecado frustrou temporariamente este fim. Mas, como nenhum dos desígnios salvíficos de Deus pode ser revogado, o Verbo assumiu pessoalmente, pela sua Encarnação, a tarefa de levar a termo a obra interrompida da theosis do homem. A theosis realizou-se na sua pessoa divino-humana, com base na comunicação dos idiomas (communicatio idiomatum) das duas naturezas. A natureza humana encheu-se de Deus não exterior e superficialmente, mas profunda e interiormente, sem, evidentemente, se transformar em divindade: tal como o ferro, ao entrar em contacto com o fogo, fica em brasa sem perder a sua propriedade natural. Esta theosis estende-se também a todos os fiéis, depois da purificação do pecado e da prática dos mandamentos de Deus.
Observamos que, como noutros homens de Deus, quando alguém é renovado em Cristo, também a criação, que geme e sofre juntamente com o homem caído, se amansa. A natureza irracional regressa ao estado paradisíaco e põe-se ao serviço do homem.
Como se atesta no seu contácio, Santo Onofre recebeu no seu coração a luz noética e celeste, mostrou-se vaso da incorruptível Divindade trinitária e agora foi contado entre os Anjos e canta em alta voz o hino doxológico «Aleluia».
A memória do Santo
Santo Onofre tornou-se companheiro dos anjos, ou melhor, anjo terrestre, porque imitou a vida dos grandes Santos anacoretas da Igreja, João, o Precursor, e Elias, o Tesbita, tornando-se assim seu imitador.
Santo Onofre terminou a sua vida terrena a 12 de junho, dia em que a nossa Igreja Ortodoxa honra e celebra a sua memória, juntamente com a do nosso venerável pai Pedro do Monte Athos. A memória do venerável Onofre, o Egípcio, situa-se, segundo o calendário antigo (juliano), seguido pelo Patriarcado de Jerusalém, pela Santa Montanha, pela Igreja Russa e outros, entre o Sábado das Almas e a sexta-feira da quinta semana de Mateus; e, segundo o calendário novo, seguido pela Igreja da Grécia, pelo Patriarcado Ecuménico e outros, entre o Domingo do Cego e o sábado da terceira semana de Mateus.
Da hinografia do Santo
Texto grego
Ὁδήγησον πρὸς θελημάτων ἐκπλήρωσιν τοῦ Ὑψίστου τοὺς προστρέχοντας εὐλαβῶς τῇ θείᾳ σου χάριτι, Ὀνούφριε, ἄγγελε τῆς ἐρήμου.
Texto grego
Ζόφωσιν συναφείας χοϊκῆς ἀποῤῥίψας, Ὀνούφριε, καὶ τοῦ πονηροῦ πειρασμούς, Ἀγγέλων φωταυγῶν πέφηνας συνόμιλος· διόπερ σε γεραίροντες τρανῶς βοῶμεν·
Texto grego
Ὀνούφριε, ὅσιε ἀσκητά, ὁ ἐν τῇ ἐρήμῳ ὑπομείνας τὸν παγετὸν νυκτὸς καὶ τὸν καύσωνα ἡμέρας διὰ Χριστόν, ἴθυνόν με πρὸς θέωσιν.
Texto grego
Ὅσιε Ὀνούφριε, τῆς στεῤῥοτάτης ἀσκήσεως, ἐν τῇ καυστικῇ καὶ ἐπιπόνῳ διατριβῇ, ὡς ἐν ἀδύτοις ἀναπαυόμενος διετέλεσας· τοῖς ἐρημικωτέροις γὰρ ἑαυτὸν συνάψας πνευματικῶς, τὰς πυριφλέκτους φαρέτρας τῶν δαιμόνων κατεπάτησας, καὶ ὑπεράνω πάσης ἀρετῆς γεγονώς, συναυλίζῃ Ἀγγέλοις ἐν τῇ βασιλείᾳ τῶν οὐρανῶν, μεθ᾽ ὧν πρέσβευε Χριστῷ τῷ Θεῷ σωθῆναι τὰς ψυχὰς ἡμῶν.
Texto grego
Ὡς ὑπέρλαμπρον ὁ Χριστός σου εὑρών, ψυχῆς τὸ καθαρὸν σκήνωμα, Ὀνούφριε, ἐνοίκησεν ἐν σοί· καὶ θέσει Θεὸς γεγονώς, συμβασιλεύεις αὐτῷ αἰωνίως, πρεσβεύων ὑπὲρ τῶν ψυχῶν ἡμῶν.
Texto grego
Ἐζήτησας, θεοφόρε, τοῦ θεωρεῖν τοῦ Κυρίου τὴν τερπνότητα, καὶ μόνος αὐτῷ μόνῳ προσομιλεῖν ἐπεπόθησας· ὅθεν κόσμον καταλιπών, φυγαδεύων καὶ διαιτώμενος ἐν ἐρήμοις καὶ ὄρεσι, καὶ τὸν Χριστὸν ἐνδεδυμένος, χιτῶνος οὐκ ἐφρόντιζες, τῆς ἀφθαρσίας χιτῶνα σεαυτὸν ἐμπορευόμενος, μεθ᾽ οὗ εἰσῆλθες εἰς τὸν οὐράνιον νυμφῶνα, αἰωνίως ἀγαλλόμενος, Ὀνούφριε ὅσιε.
Alegra-te, glória do deserto; alegra-te, modelo de vida divina.
Alegra-te, autêntico seguidor de Cristo; alegra-te, implacável destruidor do inimigo.
Alegra-te, regra retíssima da vida solitária; alegra-te, obedientíssimo guardião das leis da virtude.
Alegra-te, porque te mostraste desdenhoso das coisas terrenas; alegra-te, porque apareceste contemplador das coisas celestes.
Alegra-te, tu que eras coberto apenas pelos teus cabelos; alegra-te, fonte de graças de muitos mananciais.
Alegra-te, muralha dos fiéis dada por Deus; alegra-te, monte que nem os sábios conseguem fitar.
Alegra-te, bem-aventurado Onofre.
Texto grego
Ἤσκησας θεαρέστως, καὶ τὸν καύσωνα θέρους ὁμοῦ σὺν τοῦ χειμῶνος τῷ ψύχει καθυπέμεινας, ὁ ὢν γυμνός, θεϊκῇ ἰσχύϊ, ἀσκητὰ ἔνθεε, Ὀνούφριε, ὡς ἄσαρκος· διό σοι ἐκβοῶμεν πόθῳ·
Χαῖρε, τὸ καύχημα τῆς ἐρήμου· χαῖρε, ὑπόδειγμα βίου θείου.
Χαῖρε, τοῦ Χριστοῦ ὀπαδὸς γνησιώτατος· χαῖρε, τοῦ ἐχθροῦ ὀλετὴρ ὁ δριμύτατος.
Χαῖρε, γνώμων ὁ εὐθύτατος τῆς μονήρους βιοτῆς· χαῖρε, νόμων εὐπειθέστατος τηρητὴς τῆς ἀρετῆς.
Χαῖρε, ὅτι ἐδείχθης γεηρῶν ὑπερόπτης· χαῖρε, ὅτι ἐφάνης οὐρανίων ἐπόπτης.
Χαῖρε, θριξὶν ὁ μόνον σκεπόμενος· χαῖρε, πηγὴ χαρίτων πολύκρουνος.
Χαῖρε, πιστῶν τὸ θεόσδοτον ἕρκος· χαῖρε, σοφῶν δυσαντίβλεπτον ὄρος.
Χαίροις, μάκαρ Ὀνούφριε.
Texto grego
Ὀνούφριε μακάριε, προσπίπτοντά με οἴκτειρον, δέομαί σου, καὶ τὰ ὄμματα, σοφέ, φώτισον τῆς ψυχῆς μου, καθαρῶς ὅπως βλέψω τὸν φωτοδότην καὶ οἰκτίρμονα.
Texto grego
Φῶς, Ὀνούφριε, θεῖον λαβών, σεπτὲ ὅσιε, ἔνδον ἐν καρδίᾳ σου ὤφθης ὅλος φωτόμορφος· διὸ καὶ χάριν ἡμῶν τὴν σκοτομήνην ἀπείληφας καὶ πάσης θλίψεως.
Texto grego
Ὅρμος γαληνὸς ἴσθι πάντων τῶν τιμώντων σε ἐν τοῖς κλύδωσι τοῦ βίου, θαυμαστὲ ἐρημῖτα τῆς Νειλῴας γῆς, Ὀνούφριε.
Esta página contém uma pequena homenagem a Santo Onofre, meu protetor, que, com as suas súplicas ao Senhor, me ajudou e me ajuda em situações difíceis.
Jason Digalakis
Sir 2,1–9. ↩︎
Sir 2,10–18. ↩︎
Sb 5,15–23. ↩︎
Act 11,21. ↩︎
São Silvano do Monte Athos. As suas palavras são citadas tal como foram registadas pelo seu discípulo, o Arquimandrita Sofrónio (Sakharov). ↩︎ ↩︎ ↩︎
Lc 21,34–36. ↩︎
Cf. Cl 3,5. ↩︎
Cf. Rm 13,14; Gl 3,27. ↩︎
Is 35,1. ↩︎
1 Tm 4,7. ↩︎
Mt 7,14. ↩︎
Dt 8,3; cf. Mt 4,4. ↩︎
Mt 6,31–33. ↩︎
João Clímaco, A Escada Divina, Degrau 28 («Sobre a oração»). O texto grego desta página acrescenta glosas explicativas entre parênteses. ↩︎
Is 40,31. ↩︎
Mt 5,13–16. ↩︎
Cf. 2 Tm 4,7. ↩︎
Lc 3,11. ↩︎
Sinaxário, 12 de junho. ↩︎
Basílio Magno, Carta 2, a Gregório, seu companheiro, EPE 1, 68. ↩︎
Mt 10,39. ↩︎
Mt 10,40–42. ↩︎
Em grego, Κύριε Ἰησοῦ Χριστέ, ἐλέησόν με: cinco palavras. ↩︎
Sb 3,1–9. ↩︎
Grande Horológio, 12 de junho, Contácio. ↩︎
Sb 5,1–2. ↩︎
Sb 5,3–6. ↩︎
Bibliografia
Descarregar a bibliografia (BibTeX, .bib) Para Zotero, JabRef, Mendeley e LaTeX. Sistema Chicago (17.ª ed.). As obras são citadas no original grego.
Livros litúrgicos e hagiográficos
- Γεράσιμος Μικραγιαννανίτης (Μοναχός). Ο ενιαύσιος Στέφανος της Ορθοδόξου Ανατολικής Εκκλησίας. Αθήνα, 1976.
- Ιερατικόν. Αθήνα: Αποστολική Διακονία της Εκκλησίας της Ελλάδος, 1965.
- Μηναία. Vol. janeiro–dezembro. Αθήνα: Αποστολική Διακονία της Εκκλησίας της Ελλάδος, 1988.
- Ο Άγιος Ονούφριος. s.l.: Απόστολος Βαρνάβας, s.d.
- Οκτώηχος. Αθήνα, 1962.
- Παπαγιάννης, Κωνσταντίνος (Πρωτοπρ.). Σύστημα Τυπικού των ιερών ακολουθιών του όλου ενιαυτού καταρτισθέν επί τη βάσει της τυπικής παραδόσεως της Ορθοδόξου Ανατολικής Εκκλησίας. 1.ª ed. Αθήνα: Αποστολική Διακονία της Εκκλησίας της Ελλάδος, 2006. Ver esp. pp. 545–547. ISBN 960-315-554-3.
- Πάσχα, Υιοί Β. Ν. Ακολουθία e βίος της Αγίας ενδόξου Μεγαλομάρτυρος e Αθλοφόρου του Χριστού [Κυριακής]. 1.ª ed. Πάτρα: Υιοί Β. Ν. Πάσχα, 1886.
- Πάσχα, Υιοί Β. Ν. Ακολουθία e βίος της Αγίας ενδόξου Μεγαλομάρτυρος e Αθλοφόρου του Χριστού [Κυριακής]. 2.ª ed. Αθήνα: Ανδρέας Β. Πάσχας, 1914.
- Πεντηκοστάριον. Αθήνα, 1986.
- Τριώδιον. Αθήνα, 1978.
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Sagrada Escritura e textos patrísticos
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- Βούλγαρης, Νικόλαος (Ιατροδιδάσκαλος). Κατήχησις ιερά, τουτέστιν εξήγησις λεπτομερής της Θείας e Ιεράς Λειτουργίας εν είδει ερωταποκρίσεων, μετά e πολλών ψυχωφελών εξετάσεων. Κατουνάκια Αγίου Όρους: Ιερόν Ησυχαστήριον «Άξιον Εστί», 2007. Reedição exata da 1.ª edição de 1651.
- Γιαννακόπουλος, Ιωήλ (Αρχιμ.). Η Παλαιά Διαθήκη κατά τους Ο΄: Κείμενον – ερμηνευτική παράφρασις – σχόλια – προβλήματα – χάρται. 4.ª ed. Vol. 1–9. Θεσσαλονίκη: Ορθόδοξη Χριστιανική Αδελφότης «Λυδία», 1986.
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- Ιωάννης ο Δαμασκηνός (Άγιος). [Sem título]. Patrologia Graeca 94, col. 1332.
- Ιωάννης ο Χρυσόστομος (Αρχιεπίσκοπος Κωνσταντινουπόλεως). Υπόμνημα εις το Κατά Ματθαίον Ευαγγέλιον. Série «Έλληνες Πατέρες της Εκκλησίας»
- Ιωάννης της Κλίμακος (Άγιος). Κλίμαξ. Sem dados de edição.
- Κύριλλος Ιεροσολύμων (Άγιος). Κατηχήσεις. Trad. Αντώνιος Ρωμαίος (Αρχιμ.). 2.ª ed. Καρέας: Ετοιμασία – Ιερά Μονή Αγίου Ιωάννου Προδρόμου Καρέα, 1999.
- Μάξιμος ο Ομολογητής (Άγιος). [Sem título]. Patrologia Graeca 90, col. 157 e 321.
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Livros e estudos
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Artigos
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- Παπαβαρνάβας, Γεώργιος (Πρωτοπρ.). «Όσιος Ονούφριος». Εκκλησιαστική Παρέμβαση (Ιερά Μητρόπολις Ναυπάκτου e Αγίου Βλασίου). http://www.parembasis.gr/2006/06_06_06.htm.
Fontes em linha
- Η Αγία Γραφή. http://www.apostoliki-diakonia.gr/bible/bible.asp. Αποστολική Διακονία της Εκκλησίας της Ελλάδος.
- Αποστολική Διακονία της Εκκλησίας της Ελλάδος. Η παρουσία του χριστιανικού ναού. http://www.apostoliki-diakonia.gr/gr_main/catehism/theologia_zoi/themata.asp?contents=art/contents_naos.asp&main=naos&file=page11.htm.
- Ιερός Ναός Αγίου Ελευθερίου Περιστερίου. Συναξαριστής Ιουνίου. http://www.agioseleytherios.gr/agioseleytherios/php/index.php?pg=synaksarioJun.
Abreviaturas: col. = coluna(s) · ed. = edição · n.º = número · org. = organização · p./pp. = página/páginas · s.d. = sem data · s.l. = sem local de edição · trad. = tradução · vol. = volume · EPE = Έλληνες Πατέρες της Εκκλησίας. Algumas entradas não dispõem de dados de edição completos; serão completadas progressivamente.
Nesta secção
- HermópolisO monaquismo egípcio, Hermópolis na Tebaida e a partida de Santo Onofre para o deserto.
- Idiomela em honra de Santo OnofreIdiomela e prosómia do ofício de Santo Onofre, o Egípcio.
